
Maria João Gaioso Henriques - A Grande Vencedora
RELATÓRIO
A VIAGEM
Saímos de Lisboa, às 07H40 do dia 14 de Maio, em voo da Air France, com destino a Paris – Charles de Gaulle – onde chegámos às 11H10 (hora local).
Às 13h15 partimos, também em voo da Air France, com destino à Cidade do México, com chegada às 17H55 (hora local), 23H55 (hora de Lisboa).
Pernoitamos no Hotel Fiesta Inn (antigo American Plaza), bastante prático pois é mesmo junto ao Aeroporto, o que nos poupa a confusão da cidade. A reserva é feita via Internet.
No dia seguinte, sábado dia 15 de Maio, saímos às 09H30 da Cidade do México, em voo da Aero México, para San José del Cabo, onde chegámos às 10H30 (menos 1 hora do que na cidade do México e menos 7 horas do que Lisboa).
À chegada uma enorme contrariedade pois toda a nossa bagagem não chegou no avião. Havíamos despachado directamente de Lisboa para San José, o que, embora bastante prático, nos faz perder o controlo durante as escalas.
Contactámos imediatamente o balcão da Aero México a quem expusemos a delicadeza da situação, pois todo o nosso material de pesca vinha nas malas, e corríamos o risco de pôr em causa a nossa participação no Torneio.
Foram de uma simpatia extrema e, à nossa frente telefonicamente, trataram do assunto prometendo-nos que nesse mesmo dia a bagagem estaria em San José, pois chegaram à conclusão que havia ficado na Cidade do México.
Prontificaram-se inclusivamente a levarem-nos a bagagem ao hotel (que fica a cerca de 50 km), mas nós recusámos pois queríamos conferir no aeroporto que tudo estava correcto. Assim aconteceu e às 17H30 tínhamos a bagagem, o que nos tirou um enorme peso de cima.
O regresso foi efectuado exactamente com as mesmas companhias aéreas e com as mesmas escalas, apenas com a diferença de não termos tido que pernoitar na Cidade do México.
A INSTALAÇÃO
A viagem do aeroporto para Cabo San Lucas faz-se num transfer, que deverá estar reservado via Internet com antecedência, e correu sem qualquer incidente.
Chegados ao hotel tratámos da instalação que correu igualmente sem incidentes. De referir que também a reserva deverá ser feita, via Internet, com a máxima antecedência possível, sendo de referir que o hotel, durante o período do torneio, está completamente reservado para este.
A INSCRIÇÃO E O BRIEFING DOS CAPITÃES DE EQUIPA
No domingo, dia 16, das 10H00 às 15H00, procedeu-se à confirmação da inscrição formal das equipas, e às 17H00 teve lugar um briefing com os capitães de equipa em que foram esclarecidas as regras, efectuadas algumas alterações de última hora e, finalmente, efectuado o sorteio dos barcos para os quatro dias do torneio.
O sorteio efectua-se de um modo absolutamente exemplar. Os barcos estão desde logo agrupados em “lotes” de quatro, lotes estes em que há o cuidado de misturar barcos com características semelhantes para todos os concorrentes, correspondendo a cada lote uma letra, impressa num cartão os quais estão voltados para baixo em cima de uma mesa. Cada capitão de equipa, por ordem de numeração das equipas, que estão ordenadas alfabeticamente segundo o nome do torneio que as classificou, tira um dos cartões a que corresponde a respectiva letra e, por sua vez, o lote dos barcos para os quatro dias do torneio.
Aqui a sorte é importante, não pelos barcos que nos calham no sorteio, mas sim pelas tripulações, pois são, como veremos à frente, importantíssimas para os resultados a obter.
O 1º DIA DE PESCA
Segunda-feira, dia 17 de Maio, primeiro dia de pesca. “Alvorada” às 05H00 da manhã, pequeno-almoço às 05H30 e saída para o cais, em transfer desde o hotel, das 06H00 às 06H30.

Equipa VAREIRO, vencedores e representante do 6º Troféu Clube Nautico Tavira 2003
Chegados ao cais reportamos a nossa presença à organização e aguardamos que nos chamem, o que corresponde à chegada do nosso barco à ponte de embarque.
Após o embarque dirigimo-nos para a saída da marina e, no percurso, processa-se uma “operação” importantíssima, que é a compra da isca viva. É o skipper do barco que nos aconselha a quem comprar. O máximo permitido que se pode comprar são 10 iscas, que são preferencialmente uma espécie de carapau grande (a macarella) ou, na sua falta, as cavalas. Cada isca custa $ 2 (dólares)!
Após o sinal de partida, às 07H00, e que é dado simultaneamente com um tiro e com um aviso via rádio, as embarcações arrancam para os seus pesqueiros. É um espectáculo interessantíssimo verem-se 66 embarcações, todas as dimensões acima dos 32 pés, a arrancarem a toda a velocidade ainda com a luz difusa do amanhecer.
O nosso barco, o “Angelina”, com o skipper Edgar Chong, que conjuntamente com o seu marinheiro, viemos a verificar serem de grande categoria, e tanto assim que foi quem ganhou a competição entre os skippers, rumou com direcção aproximada ENE, para junto do maciço submarino denominado “Gorda”, e com um tempo de navegação de cerca de 01H20.

Equipa VAREIRO em acção e com um Dourado a bordo
A primeira a ter peixe, logo de manhã cedo, foi a Maria João que ferrou e tirou numa amostra um dourado fêmea, que veio a pesar 30,5 lbs (cerca de 15 Kg). Logo que o peixe ferrou o skipper disse-me para lançar a linha com isca viva, a qual já estava preparada na respectiva cana, o que fiz. Passados poucos segundos ferrei um outro peixe, que se veio a verificar ser o macho da anteriormente ferrada e que andava nas imediações. Tirei o peixe que veio a pesar 45 lbs (22,5 Kg).
Combinámos, antes de iniciarmos a pesca, a nossa estratégia sobre as capturas e que era a seguinte: cada um de nós tinha a sua cana com amostra, e os peixes que ferrassem nessas canas eram tirados pelos respectivos “donos”; na 5ª cana com amostra colocada pela tripulação e na cana de isca viva, a qual logo que começávamos a pescar era armada, iríamos pescar por “escala” a qual foi determinada pelas idades, ou seja, eu, a Maria João, o Alberto Mário e o Manuel. Isto se entretanto outras prioridades não viessem a revelar necessidade de mudança desta estratégia, ao que, diga-se, não foi necessário recorrer durante os quatro dias.
Passado algum tempo, cerca das 10H00, e com a cana da isca viva ferrei e tirei o nosso primeiro Stripped Marlin, (Marlin Raiado), que estimamos com cerca de 60 Kg, e cuja luta demorou cerca de 15 minutos. Logo a seguir, cerca das 11H00, a Maria João ferrou na sua amostra, lutou durante cerca de 20 minutos e tirou o segundo marlin, que calculamos também à volta dos 60 Kg. Deu bastante luta, tendo saltado muito.
Às 13H00 a Maria João, e na cana da isca viva, ferrou e tirou o nosso terceiro marlin. Foi calculado em cerca de 90 Kg e demorou à volta de 30 minutos a tirar.
Finalmente cerca das 14H00 foi a vez do Alberto Mário. Na isca viva ferrou e tirou o quarto marlin até ao momento, que calculámos com cerca de 50 Kg.

Quando chegámos ao cais foi com uma alegria enorme que confirmamos a nossa classificação: 1º Lugar!!!
Fomos literalmente assaltados pelos fotógrafos e pela televisão, que estava a transmitir em directo para um canal de desporto nos Estados Unidos, e que nos “abafaram” com perguntas e comentários.
Viemos a constatar, nos dias subsequentes, que nos passaram a olhar com outros olhos e a ter consideração e respeito por nós, até ali uns ilustres desconhecidos, o que nos encheu de orgulho.
O 2º DIA DE PESCA
Conforme disse quando relatei o sorteio dos barcos, infelizmente verificámos neste dia quão importante são as tripulações!
Calhou-nos o barco “El Gato Negro”, um bom barco de 39’, mas cuja tripulação não manifestou o mínimo interesse em apanhar peixe.
Deram-nos uma explicação, que não sei se real mas que acreditamos que seja, e que é a seguinte: quando os donos dos barcos pagam bem às suas tripulações elas não se esforçam para ganharem a “propina” (gorjeta em português). Nós diariamente, e logo que entrávamos a bordo, oferecíamos à tripulação uma garrafa de Vinho do Porto e $ 50 USD.
Não sabemos muito bem para onde fomos, pois com a experiência do primeiro dia confiámos na tripulação, mas chegámos à conclusão que não pode ser assim! Aprendemos à nossa custa!
Não vimos durante todo o dia um único peixe e não tivemos um único toque! Aliás durante todo o torneio este barco tirou um peixe apenas no último dia e, logicamente ficou no último lugar da classificação dos skippers. Se possível, é de fugir dele!
Um dia para esquecer, e que nos afectou decisivamente a classificação final.
Descemos para o 6º Lugar.
O 3º DIA DE PESCA
Neste dia o nosso barco foi o “Duetto”, um Bertrand 33’ de 1989, mas em excelentes condições de manutenção, o que à partida nos indicava o cuidado que a tripulação dedicava ao barco e que, em nossa opinião, dá um certo índice de confiança. Não nos enganámos! Bom barco e boa tripulação.
Conforme a escala da cana da isca viva o primeiro peixe seria do Manuel, o que veio a acontecer cerca das 10H30.
Calculámos o peso em cerca de 60 Kg e demorou cerca de 30 minutos a tirar. Não saltou muito pelo que ofereceu bastante resistência a sair.

Depois deste peixe foi um dia de desespero.
Tivemos mais quatro peixes, um nas amostras e três na isca viva, que levaram bastante linha, saltaram e … desferraram. Não estávamos habituados a esta situação, pois até aí o que acontecia era: Peixe na linha, peixe tirado.
Mas nem tudo podia correr mal! Cerca das 14H55, isto é 5 minutos (!!!) antes do final do dia, fomos surpreendidos com um peixe que ferrou directamente na 5ª cana, com amostra. Era a minha vez de escala!
Calhou-me o maior peixe que tirámos, que foi calculado em cerca de 100 Kg, e foi o único que tivemos que subir a bordo pois tinha um dos anzóis da amostra cravado bem fundo na garganta. Mas, com muito cuidado, abrimos-lhe a boca, soltamos o anzol, colocamo-lo na água e, depois da “respiração artificial”, soltámo-lo e ele lá foi, feliz e contente, à vida dele.
A luta demorou cerca de 25 minutos.
Como tínhamos reportado o ferrar do peixe antes do sinal de fim de dia, é evidente que o peixe contou sem margem para dúvidas.
Com os dois peixes deste dia subimos na classificação para o 3º Lugar.
O 4º DIA DE PESCA
E chegamos, infelizmente, ao último dia. Ia ser aqui que se iria decidir tudo, no que dizia respeito aos primeiros lugares pois estávamos todos muito perto uns dos outros. Qualquer dos sete / oito primeiros classificados, nos quais nos incluíamos, podia vencer o Torneio.
O nosso barco o “Anamar III” era um Bertrand 32’, era um bom barco, também bastante bem cuidado. A tripulação boa.
Depois da rotineira oferta do Vinho do Porto e dos $ 50 USD, dissemos-lhes que estávamos em terceiro lugar e portanto interessados em, no mínimo, manter a classificação, (isto claro com a promessa de uma boa “propina”)!
Neste dia fomos nós quem dissemos para onde queríamos ir. Sem dúvida para a “Gorda”!!!
Começámos logo de manhã a ver peixe, mas que não pegava nem nas amostras nem na isca viva que lançámos a alguns deles. Até que a determinada altura percebemos o que se estava a passar.
A zona estava carregada de cardumes de milhares de lulas, e, evidentemente, o peixe andava a comer nas lulas e de “barriga cheia”, mas nessa altura já era tarde para mudarmos! Foi o nosso azar, até porque noutras zonas saiu muito peixe.
Continuamos a tentar e fomos minimamente compensados. A Maria João ferrou um peixe na sua amostra. Calculamos que pesasse cerca de 70 Kg. Deu uma boa luta com bastantes saltos e demorou cerca de 20 minutos a sair.
E acabou-se!
Para compensar o azar das lulas a alimentarem os “nossos” marlins, vimos um espectáculo interessantíssimo. Um grupo de 10 a 15 baleias cinzentas de bossa a aproveitarem o “banquete” que estava na mesa, e a comerem as lulas à superfície, fazendo um estardalhaço monumental. Valeu a pena!
CLASSIFICAÇÕES FINAIS
Embora em anexo se juntem os mapas com as pontuações dos três primeiros dias e um último com a classificação geral até ao 20º Lugar, resumimos aqui as nossas classificações:
Ø 8º Lugar da Classificação Geral por Equipas (entre 66 equipas concorrentes)
Ø 1º Lugar da Classificação Feminina (entre 25 Senhoras concorrentes)
Ø 3º Lugar da Classificação Individual dos Dourados (entre 15 peixes capturados)
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A primeira coisa que aconselhamos, ainda nos preliminares, é que se efectuem as reservas e marcações com a antecedência possível, mas que se tornam fáceis se efectuada via Internet.
Estarei sempre disponível para qualquer ajuda que se afigure útil.
Quanto à pesca propriamente dita:
Ter em atenção as Regras da IGFA, especialmente no que diz respeito às medidas (linhas duplas, leader e terminal) e às montagens (anzóis e amostras). É obrigatório apresentar todos os dias ao júri o material que interveio na(s) capturas.
A linha obrigatória era a Momoi’s Hi-Cactch Hi-Vis 30 Lbs. Caso haja dificuldade em levar os carretos cheios de cá, por não se conseguir a linha, é possível enchê-los lá na casa Minerva’s, reservando através de e-mail. Eles têm máquina para bobinar a linha, o que facilita a operação.
Terminais: usamos fluorcarbono de 150 Lbs nos leaders e nas amostras; de 100 Lbs nos anzóis para a isca viva (obrigatório o uso de anzóis circulares, mas apenas na isca viva). Usamos Eagle Claw C46-2004G – 9/0.
Nas amostras usamos Mustad 7732 e Mustad 7691S – 7/0, 8/0, e 10/0, conforme o tamanho das amostras.
É absolutamente necessária uma cana própria para isca viva. Comprámos lá na Minerva’s pois tem os modelos aconselháveis e não são caras (cerca de $ 250 ).
Quanto ao(s) métodos de pesca: o corrico é como aquele que fazemos cá, (cerca de 7 a 8 nós) e, logo que o peixe morde, o pescador deve ferrar imediatamente, ao mesmo tempo que o skipper acelera.
As outras canas devem imediatamente recolher as amostras para perto da popa do barco e imediatamente largar a isca viva que já deve ir montada na respectiva cana, (como montar a isca viva, não há melhor, como ver o modo como eles fazem), para cerca de 40 / 50 metros. Isto porque o peixe pode desferrar da amostra, ou pode haver outros nas proximidades, o que é habitual, e apresentamos-lhes aquilo de que eles mais gostam.
Como pescar com isca viva é uma técnica muito própria que não cabe aqui especificar, mas que igualmente me prontifico a explicar.
Para se ter uma pequena ideia de riqueza daqueles mares e da excelência da pesca naquela zona, (e não é o melhor sítio do mundo!) diremos que foram apanhados:
Ø Blue Marlin: 1 - Libertado
Ø Stripped Marlin: 297 – Libertados
Ø Sailfish: 1 – Libertado
Ø Dourado: 15 – Capturados
Ø Wahoo: 10 – Capturados
Ø Yellowfin Tuna: 1 - Capturado
Apuramento:
6º Troféu Clube Náutico de Tavira 2003
Tavira – Portugal
Equipa: VAREIRO
· José Eduardo Gaioso H. Vaz
· Maria João Gaioso Henriques
· Alberto Mário Gaioso Henriques
· Manuel Vasconcelos
Para ver os seguintes items,
Relatório Final da IGFA
Relatórios Diários da IGFA
Mapas das Pontuações
Mapa da Classificação
Fotografias
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Espinho, 5 de Junho de 2004
O Capitão da Equipa,
José Eduardo Gaioso Vaz |