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A Pesca Grossa ou como é vulgar chamar de Big Game Fishing, personifica a luta entre o Homem e um peixe de grande porte, luta essa desenvolvida com cana e carreto, sendo condicionada pela existência desses exemplares em local acessível. As grandes espécies de peixes como o Tubarão, o Espadarte, o Marlin, o Espadim, o Veleiro, os Atuns, nos anos cinquenta frequentavam apenas certas zonas privilegiadas, e o homem apenas descobria-o, estudava-o até começar a colocar esses conhecimentos ao serviço dum sistema prático e acessível ao pescador desportivo.
A luta atlética e emocionante com estes peixes, continua a exercer uma grande atracção. O primeiro a tentar capturar estes peixes foi um engenheiro de minas de nome TUCKER, que rapidamente passou a ser um expert na matéria. Dos primeiros e maiores ases da pesca grossa foram sem duvida MICHAEL LERNER e FARRINGTON, em que o primeiro estudava e o segundo popularizava a pesca do Espadarte no Chile.

Em Portugal, homens como Manuel Frade, Arsénio Cordeiro, Brun do Canto, Sobral entre outros, pescadores desportivos e estudiosos destas espécies, contribuíram na divulgação desta técnica de pesca tendo levado longe o nome de Portugal como destino turístico para esta prática. Completando o ciclo, contribuiu decisivamente nos anos cinquenta JOSÉ PINTO BRAZ, proprietário do famoso HOTEL ESPADARTE, em Sesimbra, com o desenvolvimento desta prática, provando de forma eficaz que, já na altura era possível pescar grandes exemplares numa zona com todas as condições para um turismo de qualidade, e com a oferta deste tipo de entretenimento.
Recordamos entre outros, nomes como Ernest Heminguay e Closterman assíduos clientes de então.

Em relação às espécies, e como troféus mais valiosos para o pescador desportivo, podemos citar o Espadarte (Xiphias Gladius); cinco espécies de espadim (Makaira); duas espécies de veleiros (Istiophorus); duas espécies de atuns (Thunnus e Neothunus); o Tubarão Anequim (Isurus Oxirhynus ou o Isurosis Mako).
O Espadarte, será porventura o troféu mais ambicionado pelo pescador, vulgarmente conhecido também como Peixe-Agulha, a sua localização é fácil ao contrário da sua captura que é dificultada pelo desinteresse que tem pelos iscos ou amostras que lhe oferecem. É um combatente nato, fez com que Zane Grey o designasse como “o maior de todos”. O “Gladiador dos Mares” como também poderá ser conhecido, é um apreciador duma Espécie de peixe que já deixou de frequentar a nossa costa – a Xaputa –, razão pela qual o Espadarte passou a fazer o mesmo.
Por vezes é avistado perto da costa com o Sol já alto à tona d'água repousando à superfície com a barbatana dorsal e lobo superior da cauda, fora d'água. A pesca a estes exemplares fazia-se antigamente em Sesimbra entre Abril e Outubro, numa Barca Típica cuja velocidade não dava mais de seis milhas hora, em que era fácil arpoar cinco a dez Espadartes num único dia de pesca.

Desportivamente fazia-se em embarcações semelhantes, mas hoje em dia com embarcações mais modernas e velozes, materiais mais eficazes, e com a escassez deste peixe e de outros como o Tubarão Azul, torna-se necessário e urgente continuar a marcar e libertar após a sua captura, devolvendo-o novamente ao mar, para que amanhã possamos continuar a poder lutar com estes magníficos peixes, dando-lhes a oportunidade de se poderem reproduzir.
Texto gentilmente cedido pelo nosso amigo Hugo Silva. |