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Repovoamento de peixes é positivo

As experiências de repovoamento piscícola na Ria Formosa, com recurso à marcação de peixes, têm tido resultados positivos, mas ainda não os suficientes para que se libertem grandes quantidades de animais criados em cativeiro.

Os testes actualmente levados a cabo apenas naquela zona da costa portuguesa, no Algarve, ainda não são suficientemente conclusivos para que o repovoamento se generalize, disse à Lusa o biólogo Miguel Neves, do Instituto Português de Investigação Marítima (IPIMAR).
 
"Num programa de repovoamento são libertados dezenas de milhões de peixes, como acontece no Japão, mas por enquanto ainda temos resultados definitivos.
 
Apesar disso, enuncia o investigador, os primeiros frutos do trabalho desenvolvido, com sargos (legítimos e veados), sargos safia, bicudos e linguados, libertados ao ritmo de 5 a 6 mil exemplares por espécie, são positivos.
 
No início, os espécimes ficam como que "apalermados", não se afastam dos tanques de onde são libertados, desconhecem os perigos e não reagem aos predadores naturais ou à presença do homem.
 
"Esse tipo de comportamentos tornam-nos particularmente vulneráveis e fragiliza-os perante a hostilidade do meio natural.
 
Porém, observa Miguel Neves, ao fim de uma semana alteram o comportamento: afastam-se dos tanques e começam progressivamente a interagir com os outros espécimes e a desenvolver a capacidade de procurar alimentos.
 
"Isto prova que as espécies até agora estudadas conseguem uma rápida capacidade de adaptação ao meio e que não definham em contacto com a natureza", acentua.
 
Por outro lado, as taxas de crescimento dos peixes libertados são idênticas às dos que nasceram em meio selvagem e a consanguinidade (procriação dentro do mesmo grupo) parece ser reduzida.
 
"Quanto maior a consanguinidade, menos fortalecida fica uma espécie, pelo que o estudo da interacção entre animais que sempre viveram em liberdade e os que saem do cativeiro é uma das nossas prioridades", assevera.
 
Quanto à dispersão dos exemplares soltos, 70 a 80 por cento deles são capturados até um raio de 10 milhas do local de libertação e 50 por cento não vai além das cinco milhas.
 
"É uma taxa de dispersão que se mantém até muito tempo depois da libertação", assevera, sintetizando que, ao que tudo parece indicar, o afastamento é suficientemente grande para evitar os perigos da consanguinidade e razoavelmente pequeno para evitar os riscos da perda dos exemplares para mares vizinhos.
 
Fonte: Lusa – CNA
08-01-2008 16:53:00

 



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